Sunday, 24 June 2012

RITA PAVONE June 1964 - April 1965




Rita Pavone encontra Palito Ortega, o Rei do Rock da Argentina em 1964.


A chegada de Pavone no Aeroporto de Viracopos foi tumultuada com a imprensa em pêso esperando o Vulcão Italiano que estava em 1o. lugar absoluto com 'Datemi un martello'.

19 Junho 1964 - sexta Rita Pavone chega ao Aeroporto de Viracopos em vôo de Buenos Aires, onde cumpriu uma semana de shows na TV e no Teatro Opera da Calle Corrientes.

20 Junho 1964 - sábado - Rita se apresenta no programa 'Reino da Juventude', acompanhada por The Clevers.

21 Junho 1964 - domingo - Programa 'Reino da Juventude' é exibido às 15:00 na TV Record, Canal 7, alertando os jovens paulistas que Rita Pavone tinha chegado e era 'quente'.

22 Junho 1964 - segunda - Rita Pavone, seu pianista Stelvio Cipriani, a Orquestra do Teatro Record e o conjunto de rock The Clevers ensaiam no Teatro Record.

programa distribuído no Teatro Record em Junho 1964.

23 Junho 1964 - 3ª feira - Rita apresenta-se no Teatro Record, às 21:00, acompanhada por The Clevers e Orquestra. Repertório: Che m'importa del mondo / Alla mia età / Ti vorrei parlare / Come te non c'è nessuno / Quando sogno / Pel di carota / Non è facile avere 18 anni / Scrivi! / La partita di pallone / Sul cucuzzolo / Datemi un martello / Cuore.


As apresentações de Rita Pavone no Teatro Record de São Paulo foram sensacionais.

24 Junho 1964 - 4ª feira - Rita in concert às 17:00 e 21:00, no Teatro Record.


Rita & The Clevers: Manito no saxofone, Netinho na bateria, Risonho [atráz de Rita], Mingo e Nêno, no baixo.

25 Junho 1964 - 5ª feira - Rita e The Clevers voam p'ro Rio de Janeiro e se apresentam num palco armado pela TV Rio em frente de seu prédio na Avenida Atlântica. Erasmo Carlos conta em sua biografia que ele cantava no palco justo a hora que Rita chegava... estava uma chuva fina e o público começou a aplaudir. Erasmo pensou por um momento que era para ele, mas percebeu que era a italianinha que era o alvo da comoção. Mais tarde, Rita se apresenta 'in concert' em programa especial na TV-Rio. Nessa mesma noite, em São Paulo, a TV Record transmite o vídeo-tape do show do dia 23. A transmissão é um sucesso total!


Rita Pavone no show da Avenida Atlântica no Rio de Janeiro em 25 Junho 1964.


Rita Pavone no palco da TV Rio, Canal 13, Rio de Janeiro em 25 Junho 1964.


Trecho do livro 'Minha fama de mau', de Erasmo Carlos, lançado pela Editora Objetiva em 2009. 
  
Nele, Erasmo conta sobre um show impromptu que foi organizado por Carlos Imperial para saudar a passagem de Rita Pavone pelo Rio de Janeiro no dia 25 Junho 1964

A chuva atrapalhou o show que Carlos Imperial organizou em frente à TV Rio, Canal 13, em Copacabana, para badalar a ida de Rita Pavone à emissora, em 1964. A ideia era, no dia da apresentação da cantora na TV, reunir uma multidão na rua, parando a cidade e impressionando os jornais. Um evento dispensável, afinal a cantora-fenômeno já era mais que badalada por si só. Não se falava de outra coisa. No rádio, nas festinhas e nos bailes, seus sucessos 'Datemi un martello' e 'Cuore' tocavam mais que 'Parabéns a você'. Seus clones se multiplicavam – cabelos curtos, botinhas, camisa branca de mangas compridas, calça preta e o indefectível suspensório.

Mas, como a cúpula da TV Rio pediu que Imperial se virasse para fazer algo que chamasse mais a atenção para Rita, ele correu atrás. Eu estava de bobeira em minha casa na Tijuca quando o telefone tocou. Era ele, gritando:

- Figura, larga o que estiver fazendo e vem para a TV Rio agora! Telefona para quem você puder e manda todo mundo vir para cá para um grande show. Simonal e Marcos Moran já estão comigo.

Liguei para alguns amigos e saí a jato. Quando cheguei à emissora, logo ao saltar do táxi, já fui envolvido pela multidão. Imperial, nervoso, dava ordens aos berros, tentando organizar a bagunça. Aos poucos, os artistas foram chegando: Cleide Alves, Golden Boys, Trio Esperança, Roberto Rei (versionista da 'História de um homem mau', sucesso com Roberto Carlos), Hamilton, Jerry Adriani, Selmita, Maritza Fabiani, Tony Checker [futuro Tony Tornado] e Gerson Combo, entre outros.

O cast foi se encorpando, a aparelhagem foi ligada, a câmera colocada num lugar estratégico e, exatamente às 18h, começou o show no palco armado em frente à TV Rio. Enquanto a apresentação rolava, as pessoas que passavam por ali paravam curiosas para ver o burburinho, sem a mínima noção do que se tratava – como tudo foi feito na pressa, não havia cartazes pela cidade ou anúncios nas rádios. Com o acúmulo de gente, o trânsito também parou e começou o buzinaço. Em pouco tempo, o Posto 6, em Copacabana, já abrigava uma multidão.

Como tudo foi improvisado e a transmissão era ao vivo, às vezes entravam os comerciais com alguém ainda cantando e, quando voltava a aparecer o palco, a música já tinha acabado.

Uma chuva fininha começou a cair, causando certa apreensão. Mas mesmo com a garoa e sem a presença de muitos artistas, que estavam fora do Rio ou não foram encontrados, Imperial se saía bem. Apresentava os que chegavam, entrevistava o povão e convocava as pessoas para imitar o 'swim', a dança característica da Rita.

Na minha hora de cantar, não fiz por menos e entrei todo pimpão quando a banda atacou 'Terror dos namorados'. A emoção de quem está lançando uma música nova tomou conta de mim. Vibrava a cada compasso e a cada virada de bateria. Na parte da música em que a banda para, deixando soar os acordes para eu cantar “eu beijo, beijo, beijo, beijo, beijo, beijo, beijo, beijo, beijo...”, o público foi à loucura, gritando sem parar. Confesso que me surpreendi com a reação e pensei comigo: “Caramba, estou agradando em cheio. O povo está gostando! Vou dar mais de mim.” 

E dei. A visão dos pingos da chuva caindo sobre o facho de luz dos refletores, em contraste com o escuro do céu, tornava aquela demonstração de carinho emocionante para um iniciante como eu. A galera continuou pulando e me ovacionando cada vez mais. Agora também de braços erguidos, me saudando calorosamente.

De repente, caí do meu deslumbramento e despertei daquele sonho. Notei que os olhares, os aplausos e os acenos não eram para mim. E sim para alguém que estava no terraço da emissora. Virei meu pescoço num gesto brusco, olhei para o alto e vi, cercada pelo seu staff, a figura mignon de Rita Pavone, sorrindo e mandando beijinhos para a multidão ensandecida.

Anos mais tarde, já famoso, a encontrei num show de Jorge Ben numa boate em São Paulo. Brinquei com ela:

-  Você lembra de mim naquele show de 1964, na porta da TV no Rio de Janeiro?

Após sua negativa, respondi:

-  Eu era um pingo da chuva que molhou você. 

Erasmo Carlos.

para saber mais sobre o cantor Hamilton, incluído no show em frente da TV Rio no dia 25 Junho 1964:
http://laplayamusic.blogspot.com.br/2012/02/hamilton-agora-sou-feliz-1967.html

26  Junho 1964 - 6ª feira - Rita & Clevers se apresentam às 21:00, no Teatro Record; à meia-noite apresenta-se no Clube Átlético Monte Líbano.



Rita Pavone diverte a juventude no Clube Atlético Monte Líbano na 6a. feira, 26 Junho 1964, depois da meia-noite.


27 Junho 1964 - sábado - Rita in concert às 17:00 e 21:00, no Teatro Record.

28 Junho  1964 - domingo - Rita in concert às 17:00 e 21:00, no Teatro Record.

29 Junho 1964 - 2ª feira  - Rita, la mamma, Teddy Reno e Stelvio Cipriani, o pianista voam p'ro Rio e de lá tomam avião da Alitalia,  fazendo uma parada no aeroporto internacional da IIha  do Sol, no arquipélado de Cabo Verde, lna costa africana, onde, enquanto la mamma joga cartas com o Stelvio, Teddy Reno dá o primeiro beijo na menina-cantora e fazem planos para um futuro casamento, que se concretizaria quatro anos depois, em 1968.


Antonio Aguillar, o DJ que saia até em capa de LP que o proprio produziu para a Continental.


Rita no palco do Teatro Record acompanhada por  Stelvio Cipriani ao piano, The Clevers e a orquestra inteira da Record.


Rita Pavone participa do programa 'Reino da Juventude', de Antonio Aguillar

Antonio Aguillar, fotógrafo do jornal Estadão, tornou-se DJ e animador de programa- de-auditório na Radio Nacional de S.Paulo. Seu programa principal era o 'Ritmos para a Juventude', aos sábados das 15:00 as 18:00, onde conjuntos instrumentais à base de guitarras elétricas e bateria se apresentavam. Foi lá que Jet Blacks, Jordans, Clevers e outros se formaram entre 1962 e 1963. Logo a Organização Victor Costa leva o programa para a TV Paulista.

A TV Excelsior vendo que havia futuro alí, contrata Aguillar que passa a apresentar seu programa de rock com o nome de 'Featival da Juventude', no Canal 9.

Em abril de 1964, a TV Record 'rouba' o Aguillar para o Canal 7 e lhe dá 'carta branca' para fazer o 'Reino da Juventude' da maneira que quisesse, apresentando-o no Teatro Record aos sábados, sendo o video-tape do programa exibido no domingo de tarde.

Nesse meio tempo, Rita Pavone, a maior sensação do rock chega ao Brasil para se apresentar 'in concert'  no Teatro Record durante uma semana.

Quando Aguillar soube da chegada de Pavone, perguntou à Paulinho Machado de Carvalho, o homem que o havia tirado da TV Excelsior e lhe prometido 'carta branca', se era possível que ela se apresentasse no 'Reino da Juventude'. Paulinho confabulou com o empresário de Rita. 

Teddy Reno, que não é bobo, concordou com a participação da Pintadinha no programa de TV, porque sabia que seria um grande chamativo para a semana vindoura, quando Rita teria que encher o Teatro Record duas vezes ao dia. Só que o Teddy frisou que Rita não cantaria no 'Reino', pois não fazia parte do contrato.

'Tudo bem', disse o Aguillar. Só que quando la Pavone entrou no palco e a multidão se alvoroçou, The Clevers começaram a tocar o 'Datemi un martello', que é uma progressão harmônica facílima, C Am Dm F G... quem toca o mínimo de violão sabe como é 'canja'. O público ficou louco com a figura da Rita, essa pegou o microfone e começou a cantar 'Datemi un martello'... e foi sucesso total, exibido na tarde de domingo pela TV Record em video-tape.

Entre o sábado e a 2a. feira, tudo já tinha sido arranjado entre o Paulo Machado,  Aguillar e o Ferruccio Ricordi. A TV Record não pagaria The Clevers, pois ja tinha pago muito pela italianinha. Ferrucicio Ricordi não abria a mão nem p'ra dizer bom dia. Então o Aguillar, que queria de qualquer jeito promover The Clevers, veio com a ideia de pedir autorização a Mr. Reno se ele, Aguillar, poderia 'plantar' a notícia de um romance entre a rockeira italiana e Netinho, o baterista dos Clevers. O Reno não viu nada de errado e aprovou a idéia. Só que ele nunca pensou que a notícia cruzaria o Atlântico e o aborreceria profundamente, já que ele tinha 'planos' outros para Rita.

Rita Pavone e The Clevers ensaiaram o show na 2a.feira e estrearam na 3a. com o maior sucesso possível. O tipo brincalhão tanto de Rita como dos Clevers se casaram de uma maneira incrível. Se o cineasta Richard Lester estivesse por perto, poderia muito bem ter realizado uma sequencia de  'A hard day's night' com Pavone & The Clevers, tal a sincronia entre eles. 

Netinho ensina os rudimentos de bateria para Rita Pavone, num romance que cresceu na imaginação popular e nas páginas dos jornais tanto daqui como os do outro lado do Atlântico.


Netinho telefona para sua amada... Na verdade, Teddy Reno, mais do que depressa, tratou de dar uns beijos na mocinha logo que pousaram na Ilha do Sal, no Cabo Verde, na rota para Roma... e acabou-se o que teria sido doce. O empresário e a rockeira tiveram um namoro secreto de quase 4 anos, até ela conseguir a maioridade e não ter problemas legais para um eventual casamento.


2ª Tournee  -   1 9 6 5

A volta de Rita Pavone em Abril 1965, foi um anti-clímax comparando-se com o que tinha sido sua temporada vitoriosa de 1964. Rita estava visivelmente cansada, devido aos inúmeros compromissos que tivera no ultimo ano: tournee extensiva pela Itália durante o verão de 1964, acompanhada por The Clevers;  gravação de 8 capitulos de 'Gian Burrasca', uma novela-musical para a TV Italiana mais viagens aos EUA, Europa e América Latina. 

A RCA Victor aproveitou a volta da rockeira para lançar o LP 'Ritorna', uma colcha-de-retalhos não muito bem costurada. The Clevers já tinha mudado de nome; agora se chamavam Os Incríveis, e estavam na Argentina. Rita já não era mais novidade, nem seus discos estavam mais no topo da parada de sucesso. Mesmo assim, Rita conseguiu lotar todas as sessões que cantou. Mas o entusiasmo já não era o mesmo.

Teddy Reno insistiu em apresentar a tarantella 'Viva la pappa col pomodoro' como se fosse um 'novo' 'Datemi un martello', mas não conseguiu o intento. Ninguem conhecia a música, muito repetitiva, que fora o tema-principal da novela 'Gian Burrasca', que óbviamente não tinha passado aqui. 

Rita cantou no Teatro Record acompanhada apenas da orquestra do teatro. Faltou a presença de um conjunto de rock, e as apresentações foram apenas regulares. Nem Stelvio Cipriani, seu pianista de 1964, estava mais, pois ele já estava sendo mais conhecido na Itália como compositor de trilhas-sonoras.  

A impressão que se tinha em 1965, era que as coisas estavam mudando muito depressa. Os fãs dos Beatles já eram muitos. Elis Regina estava despontando e 'O Fino da Bossa' teria sua primeira apresentação na semana seguinte da partida de Rita. O programa 'Jovem Guarda' estrearia em Agosto, além do sucesso fenomenal de Trini Lopez com 'Michael' e principalmente 'Perfidia' e 'The Latin Album'. The times they were really a-changing. 


26 Abril 1965 - 2ª feira

Rita Pavone, chega a São Paulo, vinda de Buenos Aires. Ainda no aeroporto de Viracopos, Rita é entrevistada pelo jornalista Ferreira Netto - da TV Record - e canta trechos de "Lui", "Occhi miei", "Viva la pappa col pomodoro" e "Sei la mia mamma".

27 Abril 1965 - 3ª feira

Rita faz sua primeira apresentação, às 20:00, no Teatro Record, acompanhada pela orquesta do teatro e canta: Just once more / Che m'importa del mondo / Sul cucuzzolo / La partita di pallone / Sei la mia mamma / Lui / Viva la pappa col pomodoro / Datemi un martello / Occhi miei / Cuore.

28 Abril 1965 - 4ª feira - Rita in concert às 20:00 e 22:00, no Teatro Record.

29 Abril 1965 - 5ª feira - Rita in concert às 20:00 e 22:00, no Teatro Record.

30 Abril 1965 - 6ª feira - Rita in concert às 20:00 e 22:00, no Teatro Record.

1º de Maio 1965 - sábado - Rita in concert às 17:00 e 21:00, no Teatro Record.

2 Maio 1965 - domingo - Rita e comitiva voam ao Rio de Janeiro e hospedam-se no Copacabana Palace Hotel.

3 Maio 1965 - 2ª feira - Rita faz uma única apresentação, às 20:00, na TV-Rio, apresentada pelo maestro João Roberto Kelly e acompanhada pela orquestra de Severino Araújo.

4 Maio 1965 - 3ª feira - Rita, sua mãe e Teddy Reno voam Alitalia em direção à Roma.   


 Rita chega ao Aeroporto do Galeão, Rio de Janeiro no domingo, 2 de Maio de 1965, protegida pela Policia Militar carioca.


A impressão que se tem é que Rita Pavone fêz mais sucesso no Rio de Janeiro em 1965, do que em São Paulo. Na única apresentação de Rita no auditório da TV Rio, ela cantou diante de um painel feito de fotos gigantes dela mesma em apresentações feitas em 1964.



Rita in Rio in 1965.


Friday, 8 June 2012

Johnny Restivo - August 1960 - February 1962

JOHNNY  RESTIVO  EM  SÃO PAULO –  AGOSTO 1960

reportagens publicadas no jornal 'Ultima Hora' SP

As Emissoras Unidas, representadas pelas Radios Record e Panamericana, mais o Canal 7, TV Record, depois de trazerem várias atrações internacionais durante o intenso ano de 1960 – resolveram promover uma Quinzena do Rock’n’Roll, trazendo Johnny Restivo, para a terceira semana do mês e Frankie Lymon para a quarta.


4 AGO 1960 – 5a. – Johnny Restivo estará na Record dia 15, inaugurando a Quinzena do Rock’n’roll.  O cartaz teen-ager americano popularizou-se com gravações como “I like girls” e “Dear someone”. Johnny nasceu em North Bronx, cidade de New York, em 13 Setembro 1943, portanto está com 16 anos, mas quase chegando aos 17. Ainda pequeno sua família mudou-se para o estado de New Jersey, e ele começou sua carreira cantando em festivais escolares na Junior High School de Cliffside Park, de onde se diplomou em Junho de 1958.


Rio de Janeiro's 'Diario da Noite'  12 August 1960.

6 AGOSTO 1960 – Sab. -  Johnny Restivo ensaia seu show no Teatro Record. Miguel Vaccaro Netto, o disc-jockey da juventude da Radio Panamericana e colunista de discos do jornal “Ultima Hora”, assiste ao ensaio e relata:  “Assisti no Teatro Record, ao ensaio de Johnny Restivo, que estreará na 2ª feira, às 21horas.  De músicas posso adiantar que cantará:  “Dear someone”, “I like girls” e “Boy crazy” –  as três do long-playing “Oh Johnny” – e também “Hound dog” e “Blue suede shoes”.

COCKTAIL:   A RCA Victor ofereceu cocktail para apresentação de Johnny Restivo à imprensa brasileira.  Sobre Restivo ouvi algumas opiniões: “É o tipo do rapazinho bonitinho da rua Augusta.”, disse Henrique Lôbo, o disc-jockey;  “Que belezinha!” [de uma cantora da RCA];  “Com essa “pinta”, mesmo se não tiver voz, ele fará sucesso com as garôtas.” [reporter de um matutino];  “Como parece artista de cinema!” [diversas mocinhas, rodeadas de copinhos de whiskey].

6  AGOSTO – Sab. – O Globo - Johnny Restivo chegará segunda-feira - Johnny Restivo, o novo ídolo dos teenagers norte-americanos, estará no Rio na próxima segunda-feira, devendo desembarcar no Aeroporto Santos Dumont às 10:30hs. Johnny que é exclusivo da RCA Victor – conta dezessete anos e pertence a escola de Elvis Presley e Neil Sedaka. O cantor fará apresentações no rádio e na televisão.




10 August 1960 - 'Correio da Manhã' (Rio de Janeiro) - Johnny é entrevistado pelo colunista do 'Correio' no Florida Hotel, sendo traduzido por Eduardo Vivacqua e fotografado por Gilberto Ganez. Johnny contou muito de sua vida dizendo que já tinha estado no Hawaii, Australia e Canada. Brasil sendo o primeiro o qual o inglês não é falado. O que mais o impressionou no Rio foi a estátua do Christo Redemptor. Restivo fumava constantemente cigarros de marca nacional. Disse ter certeza que John Kennedy ganha as eleições de Novembro de 1960, embora não seja eleitor por ser de menor idade. É profundamente católico e vai à missa todos os domingos. Quando chegar a New York, onde comprou uma casa recentemente, vai comprar um carro. Voou de New York a Sao Paulo com uma escala em Caracas, Venezuela.

12 AGOSTO 1960 – 6a. – Restivo:  êxito no Rio!  Segundo notícias e comentários vindos da Guanabara, estreou por lá Johnny Restivo, conseguindo um êxito fora do comum, principalmente no número “When the saints go marching in” .

Oh! Johnny Restivo




14 August 1960 - OESP columnist Mary Wynne says pianist Fred Feld rehearsed Johnny Restivo during 2 afternoons the previous week at top night-club Michel where the Boy Wonder would appear on the 15th. Miss Wynne says Fred helped Restivo with an intensive practice and she thinks the boy is a good singer and will give a good performance at the night spot.   


Na mesma edição: Isaurinha Garcia: Não penso mais em suicídio! Cantora aparece em foto com sua filhinha Monica, de 1 ano.  Diz que superou a fase de “mania de suicídio”.  Diz que vez por ora pensava em se matar.  Acostumou-se a tomar bebida alcoólica antes de suas apresentações ao microfone para “soltar a voz” e quando se deu em si, estava consumindo mais de uma garrafa de bebida por dia.  Agora está livre disso tudo.  Continua apaixonada pelo marido Walter Wanderley. Conheceu-o em Recife, quando ele era o pianista de uma boite local. Assim que o conheceu, brincou dizendo que ia se casar com ele;  e dito e feito: quando Walter se transferiu para o Rio eles se tornaram namorados e casaram.


Johnny Restivo in Rio de Janeiro - Radiolandia 


13 AGO 1960 – Sab – Frankie Lymon chegou ontem pela manhã em Congonhas. O jovem cantor “colored” grava para a Roulette nos EUA, que aqui é representada pela Philips.

Em anúncio pago, aparece montagem com as caras de Johnny Restivo e Frankie Lymon. 

Johnny apresenta-se nas seguintes datas:
15 (2ª)  as 22 horas  - irradiado pela Radio Record
16 (3ª)  as 22 horas  - irradiado pela Radio Record
17 (4ª)  as 22 horas  -       “                      “
18 (5ª)  as 22 horas  -       “                      “
19 (6a.)   “    -  televisionado pela TV Record – Canal 7
20 (sab.)  “   -  irradiado pela Radio Record
21 (dom.)     -   televisionado pela TV Record – Canal 7


15 Agosto 1960 – 2a. -  Estréia Johnny Restivo no Teatro Record as 22:00. Chovia muito, afugentando uma parcela dos brotos. Na primeira parte do programa, “Um gaiato em Nova York”, uma revista musical, com os artistas jovens da gravadora Young: 1. Regiane, 2. Nick Savoia,  3. Hamilton Di Giorgio, 4.  The Beverlys,  5. The Teenagers,  6. Dori Angiolella,  7. Marcos Roberto,  8. o guitarrista Gatto e 9. Helena Maria.  Foram apresentadas as ultimas musicas do Hit Parade americano, como “Running bear” [original: Johnny Preston #1 – December 1959], “O Dio mio” [original: Annette Funicello #10 March 1960], “Clementine” [original: ?]  e “Happy go-lucky me” [original: Paul Evans #10 – May 1960].

Armando Gasparin é o patrocinador de Restivo.

17 AGO 1960 – 3a. – Restivo, Rock e Records.  A gravadora Young oferece jantar a Johnny Restivo após o show da Record.  Miguel Vaccaro Netto, o diretor da Young promoveu essa confraternização entre o cantor teen americano e os teens brasileiros.  Quando uma boa parte do cast da Young estava à mesa, organizou-se um showzinho à parte, cantando além de Restivo – acompanhado pelos Teenagers – os próprios Teenagers e mais Hamilton Di Giorgio e Nick Savóia, acompanhados pelo guitarrista Gatto.

Garotão, simples e educado [o que não é tão facil assim em artistas ianques] Restivo mostrou simpatia pela musica brasileira, solicitando fossem apresentadas melodias nossas . Nessa altura Nick Savóia interpretou “A felicidade” [de Tom Jobim] e os Teenagers vários sambinhas bossa-nova. Em dado momento, improvisando uma maraca, Johnny acompanhou o ritmo bem do jeito americano, ou seja, na base do cha cha cha, que serviu para mostrar seu esforço.  Foi um fim de noite que, iniciou-se com pizzas, transformando-se numa gostosa salada musical.

Johnny não era era Eder Jofre, mas tinha lá seus músculos tonificados...


19 AGO 1960 – 6a. – Eder Jofre vence em Los Angeles.  Está perto do título peso-galo.

20 AGO 1960 – Sab. – Escritores boicotaram, mas Carolina Maria de Jesus [favelada] autografou 600 livros.  Aparece foto de Carolina em 1ª pagina em sua noite de autógrafos do best-seller “Quarto de despejo”.


VOLTA DE JOHNNY RESTIVO – FEVEREIRO 1962 – TEATRO RECORD


1º FEVEREIRO 1962 – 5a. – Frondizi acuado: chefes militares exigem fim das relações da Argentina com Cuba.

JOHNNY RESTIVO – o grande idolo da mocidade cantando o espetacular “Twist” – gentileza de SEMP – anúncio pago de 1/3 de página, com foto de Restivo usando a mesma camisa que foi fotografado para a capa do LP “Oh Johnny”.

1º Fev. Quinta   vesperal as 17:00 e as 21:00
2 Fev. Sexta     20:00 - show transmitido pelo Canal 7
3 Fev. Sábado    21:00
4 Fev. Domingo   20:00 – show transmitido pelo Canal 7

2 FEVEREIRO 1962 – Sexta – Restivo estreou no Teatro Record. Duas apresentações, às 17 e as 21 horas. “Twist nas alturas” é o nome da revista por ele estrelada e participam também: Nick Savoia, Hamilton Di Giorgio, Ronny Rios, Trio Marayá, Paioletti e Valeria Luera.

a Revista do Radio arrumou um namoro 'quente' entre Johnny e Marinalva, uma vedete carioca.


6 FEVEREIRO 1962 – Terça – Johnny Restivo diz adeus a São Paulo.  Após atuar 4 dias na TV Record, seguiu ontem cedo para o Rio de Janeiro, onde pretende repousar algum tempo, antes de regressar a New York, o cantor Johnny Restivo.  Aparece foto do cantor beijando uma loira local. O jornal diz que não há romance entre os dois. Johnny aparece bem mais “maduro” do que a carinha-de-garoto de 1 ano e ½ atrás, embora o chamariz do anúncio ainda apresentasse foto dele de 2 anos passados.

10 MARÇO 1962 – Revista do Rádio:   Johnny Restivo arrumou namorada no Rio. Reportagem de 2 páginas onde Restivo aparece abraçado e dançando o “twist” com a vedete carioca Marinalva. Entrevista foi feita no Copacabana Palace e Johnny diz que: “Minha carreira melhorou com Dee Anthony, meu novo empresário há um ano, é o irmão de Bill Anthony, que me acompanha nesta viagem. Tenho um advogado, Mort Farber, e dois contadores,que cuidam da aplicação do meu dinheiro. Para evitar esbanjamento só recebo 100 dólares por semana para meus gastos. O restante é empregado em compra de ações, imóveis e terrenos. Além disso tudo, sou filiado à agência General Artists Corporation.Neste mês de viagem ganhei 40.000 dolares. Viajei durange 1 mês pelo Chile, Uruguai e Argentina e vim terminar na TV Record em São Paulo, e vim para o Rio descansar. Pretendo vir aqui todos os anos,” e olhou intencionalmente para Marinalva, a rainha das vedetes, que conhecera  ha pouco tempo e de quem parecia estar gostando. Ela também estava francamente enamorada de Johnny e disse que iria ganhar uma passagem à Nova York, para visitá-lo lá.  Johnny continua: “O “twist” está realmente fazendo sucesso nos EUA.  Gravei dois “twists”, “The magic age of love “ e “Doctor love”.

CASA PARA OS PAIS:  Johnny Restivo mostra-nos a fotografia de uma casa muito bonita e diz: “Essa casa comprei para meus pais em Monroe, subúrbio de New York.  Nasci nesta cidade e lá vivi até os 13 anos quando nos mudamos para New Jersey. Agora passo em Monroe, com meus pais, apenas os fins de semana. Nos outros dias, fico em meu apartamento de New York, pois tenho sempre que estar no centro da cidade.”





Johnny Restivo story

Johnny Restivo esteve no Brasil em agosto de 1960, tendo voltado em 1962. Da primeira vez ele fez muito sucesso entre os brotos que tinham dinheiro para pagar o ingresso para vê-lo no Teatro Record, no que era a 1a. parte da Quinzena do Rock'n'Roll.

O que nós não sabíamos na época, era que Johnny tinha sido um típico caso de fabricação de ídolo. Fabricado 100% por um estudante de Relações Públicas Aplicadas chamado Ken Griffin, homônimo do grande organista dos anos 50. Aqui está toda a história da construção de 'teen idol'. Divirtam-se!


Capitulo 3 do livro “A GREAT FACE FOR RADIO” de KEN GRIFFIN

COMO CRIAR UM ASTRO DO ROCK

Wilson Key, Ph.D., era professor de Relações Públicas Aplicadas na Universidade de Boston no final dos anos 1950. Era fumante inveterado de cigarros Camel sem-filtro e também conhecido por “beber todas”, mas muito exigente em relação aos seus alunos. Ele fora da equipe que redigia discursos para o presidente Harry Truman.

Em fevereiro de 1959 lançou um desafio à nossa turma: “Se vocês quiserem concluir satisfatoriamente esse curso, vão se preparando para o exame final cujo tema será: ‘Crie algo do nada’. Criem um conceito ou produto, coloque-o no mercado e faça-o “comprável”,  se vocês quiserem nota “A”. Do contrário vocês vão tirar “C” por terem frequentado o semestre todo. Escolham;  vocês tem quatro meses!”

É lógico que eu queria tirar “A”, mas o que fazer? Eu tivera uma certa experiência em radio, e percebendo a tendência crescente no meio fonográfico de ídolos adolescentes do tipo Bobby Rydell, Frankie Avalon, Fabian, Bobby Darin etc., eu pensei: “Talvez eu ache um garoto bonitinho por aí e consiga um contrato de alguma gravadora para ele. Sim, essa é a solução! Mas como?” E não pensei mais no assunto.

No início de março, entrei numa loja de livros-para-adultos na Boylston Street, a procura de revistas de mulher-pelada. Sim, alunos de faculdade se sentem solidão também! Enquanto examinava alguns seios, notei uma revistinha do tamanho da TV Guide, intitulada “Tomorrow’s Man” [Homem de Amanhã], tendo na capa a foto de um adolescente fazendo uma pose que mostrava um corpo bem modelado. O rapaz era lindo! Será que estaria me tornando gay? Será que esse rapaz seria a solução para eu conseguir uma nota “A”?


Meio encabulado, peguei a revistinha, fui até o velho gordo do caixa, paguei 50 cents, coloquei-a no bolso-de-trás e saí, achando que provavelmente o velho iria pensar que eu era mais um “viado” comprando revista de “lolitos”. E daí? Em letras pequenas eu li: “Foto de Grover Reagan”, e o artigo dizia que o nome do garoto era Johnny Restivo, halterofilista de 15 anos, morador de Cliffside Park, New Jersey,  e que treinava na academia Vic Tanny’s Gym. Ao invés de contatar a academia e arriscar ser confundido por pervertido ou corruptor-de-menores, eu escrevi uma carta para o Reagan, aos cuidados da revista em New York, explicando minha futura tese na faculdade e pedindo-lhe o favor de comunicar isso ao Johnny e sua família. Tudo muito honesto e claro. O fotógrafo transmitiu o recado e em alguns dias Johnny me contatou, convidando-me para visitá-lo (e sua família) em New Jersey.


Johnny be good!

Eu e meus colegas de faculdade, Ron DellaChiesaPaul Neff fomos de carro até a casa de Johnny no dia combinado.  Ron e Paul vieram comigo só p'ra dar um ar de credibilidade ao meu plano, pois eles faziam seus próprios projetos, mas estavam fascinados com o meu esquema. E não deu outra: Johnny era o tipo exato do ídolo-adolescente. Lindo como um botão-de-rosa, bem-educado, de fácil-trato, modesto e já muito popular entre as garotas da vizinhança. Ele e seus pais acharam uma loucura minha ideia de transformá-lo em astro do disco e TV, mas todos concordamos:  é loucura mas pode funcionar! Que custa tentar? Não temos nada a perder! No meu caso, apenas uma nota “A”!


Na seqüência, Johnny veio até Boston num final-de-semana e gravamos sua voz  tendo como play-back um disco 45 rpm instrumental chamado “Ya Ya” de Dick Hyman, que eu tinha em minha coleção. Inventei uma letra sonsa do tipo: “Benzinho, você realmente mexe comigo [o coro responde: Ya Ya], benzinho, você realmente me assanha [Ya Ya]”, e assim por diante até a saturação. Johnny, na verdade sabia cantar!


 'Ya Ya' by Dick Hyman & the Pepper Sisters - 1958.


Johnny Restivo shows he's got what it takes...

Johnny tinha um amigo, Ed Hill, que morava pertinho, em Ridgefield Park, New Jersey, que se prontificou a tirar fotos profissionais dele, e assim  nós pudéssemos levá-las às gravadoras junto com a fita de “Ya Ya” e um “press-release” inventado, de que ele tinha sido Mr. Teenage America. Além disso, eu inventei um "relatório de uma extensa pesquisa da Boston University, feita entre garotas adolescentes, que indicava que elas adoravam rapazes ítalo-americanos de músculos tonificados e sorrisos encantadores".

Tive então uma outra sacação. Para que a apresentação ficasse completa, nós precisaríamos de uma foto de Johnny sendo “rasgado” pelas fãs. O apresentador Dick Clark tinha um programa de TV ao vivo, aos sábados às 19:30 no Little Theatre, perto da Broadway. Então lá fomos nós: eu, Johnny e Ed Hill com sua câmera fotográfica em punho, ficar na porta dos fundos do teatro, uma hora antes do início do programa, sabendo que o lugar estaria apinhado de mocinhas loucas para verem seus cantores favoritos fazendo suas entradas triunfais ao auditório do programa do Dick.  Aquilo era um pandemônio, pois havia até policia-montada para controlar a multidão.

Assim que chegamos, eu corri na frente e gritei para as meninas: “Olha!  Lá vem vindo ele!” As mocinhas não sabiam quem seria, mas não querendo perder nada,  lançaram-se em cima do Johnny. Enquanto isso o Ed Hill tirava fotos como louco da policia montada, das meninas gritando e de Johnny no meio de toda aquela algazarra, sendo superstar e rindo do absurdo de tudo.  Alguns ajudantes-de-palco apareceram correndo quando ouviram o tumulto e agindo como guarda-costas, nos colocaram p'ra dentro do teatro: Johnny, Ed e eu. 

Lá de dentro veio o Dick Clark e perguntou: “Quem é esse?” Eu tive que pensar rápido:  “Oi Dick, é o Johnny Restivo. Ele é da RCA e nós viemos assistir seu show quando tudo isso aconteceu!” Eu puxei a "carta RCA" de dentro da “cartola”, pois tinha que dizer algo rápido, que parecesse legítimo.  "Ah!” exclamou o Dick.  “Vocês não estão programados para hoje, mas por que vocês não acham um lugar aí e assistem o espetáculo!”  “Claro, obrigado Dick.  Será que você se importaria se nós tirássemos uma foto de você com o Johnny?” “Tudo bem!” respondeu Dick Clark.  Ed Hill não perdeu tempo e bateu várias chapas. 

Durante o programa, Johnny me cochichou, “Eu não acredito que nós vamos conseguir!” - "Fala baixo!” eu retruquei.  “Você ainda não viu nada!”  E nós rimos p’ra caralho durante nossa volta de carro para Cliffside Park. O Ed Hill então falou, “Espere só p’ra ver cada foto incrível que eu batí!  Puxa vida!”      

O tempo voava. Já havia se passado um mês, e eu gastando um dinheirão indo e vindo de Boston à casa de Johnny, em New Jersey. Qual seria o próximo passo?  Já que eu tinha inventado p’ro Dick Clark que nós estávamos na RCA Victor, então, pelo menos eu tentaria fazer com que Johnny entrasse lá. 

Consegui marcar uma entrevista com Charles Grean e Lee Shapiro, produtores A&R (Artistas e Repertório)  do selo do cachorrinho Nipper, dizendo-lhes que eu tinha esse rapaz incrível para mostrá-los. E qual não foi minha surpresa quando eles concordaram em nos atender! Lá chegando lhes mostrei a “pesquisa científica universitária" datilografada em papel com o logotipo da Boston University. Eu tinha um bloco com o logotipo da universidade em minha mesa, pois era diretor de relações públicas da WBUR, a rádio da escola. Mais a biografia de Johnny, as fotos com o Dick Clark, e as meninas o atacando. Mostrei-lhes também a gravação “demo” do Johnny cantando em cima do “Ya Ya”. Charles Grean & Lee Shapiro olharam para Johnny e ficaram estarrecidos. Chamaram praticamente toda equipe da RCA para a sala deles, incluindo outros produtores como Hugo & Luigi e Steve Sholes, o homem  que trouxe o Elvis Presley para a RCA, mais os compositores Don Kirshner, Howie Greenfield e Neil Sedaka.

Em poucos dias Johnny Restivo assinou um contrato de longo-termo no valor de US$ 200,000, com a RCA Victor, a maior gravadora do mundo. Era junho de 1959, final de ano-escolar. Eu consegui minha tão sonhada nota “A”, mas perdi o dia da minha formatura porque estava empresariando a carreira do garoto. Saí direto da faculdade para “pegar” o trem da RCA, que nos levaria para só-Deus-sabe-onde.
      
Charlie Grean (para os que conhecem os anos 50, foi o compositor de “The thing”, e era casado com a cantora Betty Johnson) e Lee Shapiro logo começaram a trabalhar 'em cima' do Johnny, convocando uma equipe de compositores para escolher musicas para o primeiro “sucesso” de Johnny. O lado A seria “The shape I’m in”, composta por Otis Blackwell para o Elvis, que a recusou. O lado B do disco seria uma re-gravação, agora profissionalmente, de “Ya Ya”.

A primeira sessão de gravação no Studio A da RCA, na rua 24 Leste, foi uma maravilha. Entre os músicos de estúdio:  Mundell Lowe, famoso guitarrista de jazz; Cozy Cole na bateria; Sonny Curtis no sax e até uma seção de cordas da Orquestra Sinfônica de New York. Ao lado, no Studio B, estavam Carole King e seu marido gravando seus 'demos', mais Paul Simon, usando o pseudônimo de Jerry Landis. Jerry depois se juntou a Tom para gravarem “Hey, School girl!”, que entrou na parada.  A dupla se chamava  Tom & Jerry, sendo que o Tom, no caso era o Art Garfunkel.

A maquina promocional da RCA trabalhava à toda publicando anúncios de pagina-inteira sobre Johnny Restivo na Billboard e Cashbox. Depois veio uma viagem promocional do disco “The shape I’m in” que durou duas semanas e nos levou a 10 cidades. A RCA pagava tudo – almoços e jantares com DJs, colunistas-de-jornais; entrevistas em radio e TV, e estadias grátis nos melhores hotéis de Detroit, Chicago, Pittsburgh, Philadelphia, Baltimore, Washington, Portland, Boston, Hartford e New York City – exatamente nesta ordem.


Johnny Restivo was hot property.

Ah, New York, a cidade de Alan Freed, o “Rei do Rock’n’roll”. Na verdade foi Alan quem inventou o termo “rock’n’roll”. Seu show diário de TV no Canal 5, em Manhattan, e seu programa noturno na Radio WINS eram os mais importantes e influentes entre os cantores dos USA ao lado de “American Bandstand” do Dick Clark, em Philadelphia, PA. 

Patrick Kelleher, assessor-de-imprensa da RCA, me disse, “Nós estamos feitos se o Mr. Freed gostar do Johnny!” E, pasmem,  o Alan Freed adorou o rapaz e tocou o disco várias vezes. Nos convidou para almoçar no Al & Dick’s, onde ele era reverenciado como “Mr. Free” - Sr. Grátis, não-precisava-pagar - e contratou o Johnny para cantar no seu “Alan Freed’s Rock’n’roll Spetacular” no Cine-teatro Brooklyn-Fox por 10 dias seguidos – dois shows por dia – tudo saindo por 500 dólares semanais, com todas despesas pagas no Madison Hotel.

Esses shows eram monumentais com a participação da nata do rock'n'roll e do rhythm'n'blues: Jackie Wilson (“Lonely teardrops), Jo Ann Campbell (“I’m the girl on Wolverton Mountain”), Jimmy Clanton (“Just a dream”), The Mystics (“Hushabye”), Dion & the Belmonts (“Where or when”), The Isley Brothers (“Shout”), The Shirelles (“Dedicated to the one I love”), Gerry Granahan (“No Chemise, please”), Lloyd Price e sua Orquestra (“Personality”) e finalmente o “Astro Convidado  Especial, Johnny Restivo!”

Logo em seguida Johnny foi contratado para aparecer  no “American Bandstand”, em Philadelphia-PA.  Dick Clark até se lembrou de Johnny em seu programa lá de New York.  Uffa! Tá vendo, Dick, eu até que não estava mentindo!  Ele está  na RCA mesmo!

Tudo aconteceu muito rapidamente e Johnny estava dando conta do recado, mas uma noite, seu pai sentou-se comigo e disse: “Eu acho que chegou a hora do John ter um empresário de verdade.  Foi um  prazer conhecê-lo,  passar bem!”
      
Aí acabou minha carreira de empresário-musical. Eu poderia voltar para minha verdadeira vocação: o radio. Coloquei o rabo entre as pernas, voltei p'ra casa, e mamãe e papai me disseram:  “Ótimo! Assim você consegue um trabalho de verdade.”

Consegui trabalhar de disc-jockey na WBRY em Waterbury, ganhando 85 dólares por semana, o que era um bom dinheiro em setembro de 1959, mas mesmo assim continuei de olho na “carreira” de Johnny. Seu novo empresário era Dee Anthony, que empresariava Tony Bennett. Nada mal! Acontece que o Dee era tão ocupado com o Tony, que mal tinha tempo para o J.R. Mesmo assim conseguiu um contrato para ele no Brasil – imagine só – onde ele fez algum sucesso e conseguiu dinheiro para comprar uma casa em Monroe-NJ para seus pais, e desde então, até que se diga em contrário, sumiu da face da terra.

Tradução do Capítulo 3 do livro 'A great face for radio' de Ken Griffin,  publicado em 2002.


'The memoirs of a broadcast buffoon' - 'As memórias de um palhaço do radio' - é o livro de Ken Griffin, do qual eu traduzi o capítulo 3. Não li o livro inteiro, mas deve valer a pena. Asmund me mandou apenas uma cópia do Capitulo III, no qual o Griffin trata do assunto Johnny Restivo.

Leia tudo sobre Johnny Restivo no site da Asmund, uma sueca muito louca, que não mediu esforços em compilar tudo que já se publicou sobre esse teen-idol. Asmund é sensacional, nunca se negando a fornecer qualquer tido de informação sobre seu ídolo. O link:

http://w1.570.telia.com/~u57009154/noti.htm

Alguns comentários sobre o livro revelador de Ken Griffin

Aí foi a saga do Ken Griffin. Tudo esmiuçado nos mínimos detalhes. É interessante o ultimo parágrafo, quando Griffin diz que o pai do Johnny o despede para contratar o empresário do Tony Bennett, que consegue um contrato vantajoso para o rapaz se apresentar no Brasil.

Com a pequena fortuna que Johnny ganhou da TV Record, ele pôde comprar uma casa para os pais em New Jersey. Paulinho Machado de Carvalho é, provavelmente, quem contatou Dee Anthony, empresário de Tony, para trazer o idolo teen ao Brasil.

Apesar do sucesso inicial de Johnny nos programas de Alan Freed e Dick Clark, ele, realmente nunca “emplacou” nos U.S.A., onde a concorrência era impiedosa e de muita qualidade. A sorte de Johnny foi ele ter descoberto o filão que era a America Latina, com seus teens famintos por ídolos de rock, mas sempre negligenciados pela 'matriz'. A Africa do Sul, com seus brancos segregados do resto da população, também serviu bem para a conta bancária de Restivo.

Johnny Restivo praticamente aprendeu a cantar e a se movimentar no palco nas tournées que fez ao Brasil, Chile e outros países em 1960 e 1962. O mais irônico é Johnny Restivo, um rapazinho ítalo-americano de New Jersey, ter 'abafado' mais entre os brotos paulistas que Frankie Lymon, um “all-round-performer” e legítimo herdeiro do rhythm'n'blues, o pai do rock'n'roll.

Lymon tinha sido a grande sensação no Palladium, de Londres antes de aqui aportar para a II parte da Quinzena do Rock'n'Roll da TV Record. Lymon encantou as plateias inglesas com seu sapateado e brilhantismo na bateria; enfim, um pequeno gênio no palco. Acontece que os brotos paulistas, na verdade queriam um garoto yankee bonito que lembrasse Elvis Presley e o imaginário do rock branco. Beleza e sensualidade era essencial. Uma coisa é certa, Johnny era lindo e sexy e preenchia todos os requisitos para agradar aos nossos brotos e sua química hormonal.


Back cover of Johnny's first and only album for RCA.

Johnny Restivo in São Paulo - August 1960 - as seen by newspaper 'Ultima Hora'

“Emissoras Unidas”, a broadcasting pool made up of Radio Record, Radio Panamericana and TV Record, Channel 7, after bringing a few international attractions throughout 1959 and 1960 such as Brenda Lee and Yvonne De Carlo decided to turn its attention to the growing youth-oriented market and present a “Rock’n’roll Fortnight” in its theatre at Rua da Consolação introducing young white hopeful Johnny Restivo in its first week, following it up with the great rhythm'n'blues sensation Frankie Lymon.

4 AUGUST 1960 – Thursday – Johnny Restivo will open at Record on the 15th, starting the sensational “Rock'n'Roll Fortnight'.  The famous American teen-ager became popular with songs like “I like girls” and “Dear someone”.  Johnny was born in 13 September 1943, therefore he is only 16 going on 17 next month.

6 AUGUST 1960 – Saturday – Johnny Restivo rehearses his show at Teatro Record.  Miguel Vaccaro Netto, a popular rock DJ was able to watch the rehearsals and says:  “I had the privilege of watching the rehersals of Johnny Restivo and I may say that he will sing “Dear someone”, “I like girls” and “Boy crazy” – all from his “Oh Johnny” LP – and also “Hound dog” and “Blue suede shoes”.

COCKTAIL:  RCA Victor has given a cocktail party to introduce Johnny Restivo to the Brazilian press. Miguel Vaccaro Netto mentioned above wrote in his daily column at Ultima Hora: “I heard some opinions about Johnny”:  “He is like those cute boys from Rua Augusta” (a famous thoroughfare popular with the teenage-set in São Paulo);  “How handsome!” (heard from a famous female singer from Brazilian RCA );  “Being so good-looking he’ll be a smash-hit even if he doesn’t have a thread of voice” (heard from a journalist from a morning paper);  “He looks like a Hollywood star!” (heard from some well-dressed girls with whiskey glasses in their hands).

12 AUGUST 1960 – Friday -  Restivo:  smash hit in Rio de Janeiro! According to some news I’ve heard Johnny Restivo was a big sucess in his presentations in Rio yesterday, especially when he sang “When the saints go marching in”.  Writes columnist Miguel Vaccaro.  Johnny flew to Rio on Tuesday but he’ll be back in São Paulo in time to start his residency at Teatro Record on Monday.

13 AUGUST 1960 – Saturday -  Frankie Lymon arrived in São Paulo yesterday morning.  The young “colored” singer records for Roulette, represented in Brazil by Philips. In a paid advertisement that covers ¼ of a page one can see the faces of Johnny Restivo and Frankie Lymon announcing the 'Rock'n'Roll Fortnight'.  One might even think that the two teen-age idols would be doing their presentation at the same time... but that was not the case.  Johnny opened the Fortnight and Frankie Lymon closed it.

Here is Johnny Restivo’s schedule at Teatro Record

Monday, 15 August 1960 – single presentation at 10:00 PM – being broadcast by Radio Panamericana
Tuesday, 16 August 1960 – single presentation at 10:00 PM – being broadcast by Radio Panamericana
Wednesday, 17 August 1960  –   same as above
Thursday, 18 August 1960 - same as above
Friday, 19 August 1960 – presentation at 8:30 PM - broadcast by TV Record, Channel 7 
Saturday, 20 August 1960 – matinèe at 4:00 PM and soirèe at 10:00 PM - broadcast by Radio Pan
Sunday, 21 August 1960 – matinèe at 4:00 PM; soirèe at 9:00 PM - broadcast by TV Record, Channel 7.

15 AUGUST 1960 – Monday – Johnny Restivo opens at Teatro Record at 10:00 PM.  It rained a lot, so a lot of teens stayed at home.  In the first part of the show there was a musical revue called “A rascal in New York” with Brazilian young hopefuls who belong to Young Records a local independent label:  1. Regiane;  2. Nick Savoia;  3. Hamilton Di Giorgio;  4. The Beverlys (a Negro vocal group);  5. The Teenagers (an instrumental band) ;  6. Dori Angiolella;  7. Marcos Roberto;  8. Helena Maria; and 9. Gato (a virtuoso guitar player). The most popular songs were the latest from the U.S. hit parade:  “Running bear”, “O Dio mio”, “Clementine” and “Happy go-lucky me”.

17 AUGUST 1960 – Tuesday -  Restivo, Rock & Records.  Young Records, the Brazilian label honours Johnny Restivo with a dinner after the show at Teatro Record.  When most of the cast of  “A rascal in N.York” were around they organized an impromptu little show in honour of Johnny.

A simple and very polite young man – qualities that are not easily found in a Yankee singer nowadays  - Johnny Restivo showed interest in getting to know Brazilian music and asked the gang  to show him some Brazilian melodies.  Nick Savoia stood up and sang “A felicidade” (Happiness) from the sound-track of the Academy Awards winner “Black Orpheus”. The Teenagers sang some Brazilian Bossa Nova for him.  At this point Restivo improvised a maraca with which he tried to punctuate the samba rhythm. Samba is a very difficult rhythm for non-Brazilians to play and the most Johnny could do was something similar to cha-cha, which showed his good intentions.  In the end Johnny sang some songs accompanied by The Teenagers.  It was a lovely night that started with some pizza and ended up in a delicious “mixed salad”.

22 AUGUST 1960 – Monday – Johnny Restivo flies back to New York leaving a lot  of teens asking for more at the Airport.  Restivo says he’ll be back soon.
Fankie Lymon's beautiful smile.

FRANKIE LYMON opens at Teatro Record tonight!

Frankie Lymon’s schedule is:

Monday, 22 August 1960 at 9 PM
Tuesday, 23 August 1960 at 9 PM
Wednesday, 24 August 1960 at 9 PM
Thursday, 25 August 1960  -  matinèe at 4:00 PM  and soiree at 10:00 PM
Friday, 26 August 1960 at 10 PM 
Saturday, 27 August 1960 – matinèe at 4:00 PM and soiree at 10:00 PM
Sunday, 28 August 1960 – matinèe at 4:00 PM and soiree at 9:00 PM

Dear Asmund,

This is the report I copied from Brazilian newspaper “Ultima Hora” (Latest Hour). It is a very positive account of Johnny Restivo’s tour in São Paulo. I don’t know much about Restivo’s stay in Rio de Janeiro. His tour in Rio was shorter than São Paulo's but according to Miguel Vaccaro Netto, the most popular rock DJ then, it was a smash-hit, as I have written above. 

It is interesting to know that Johnny Restivo and the great Frankie Lymon performed at the same stage with a week in between. I wonder if they had a chance to see each other sing, even though I know that the American scene was pretty much segregated in the late 50s and early 60s.

I’d like to ask you if you’d be so kind as to ask Johnny Restivo - the next time you meet him - if he remembers his tour in Brazil in 1960 – and whether he remembers Frankie Lymon being in the same program as him.  As you may know Lymon was one of the greatest talent in rock then, but unfortunately he had his life cut short by the use of heavy drugs. Some say Michael Jackson & his brothers based their act having Frankie Lymon in mind.

Johnny Restivo came back to South America for a 2nd tour in early 1962, but it was not as nearly as sensational as the first time.  


Johnny Restivo's back in Brazil -  February 1962

Johnny Restivo came back for a 2nd tour of South America in early 1962.  Although Restivo did almost the same venues in São Paulo as he had done in August 1960, things were not as exciting as 1960; times had changed. The first time around Johnny had been a complete novelty. He had actually been only  the second American teen idol visiting these shores (an almost unknown Neil Sedaka had visited São Paulo and Rio in November 1959) - apart from Brenda Lee, who had a victorious tour in 1959 – but Brenda was only 14 years old then, and could not be portrayed as a “teen idol” – she was actually a “pre-teen-idol”.

Paul Anka was here soon after Restivo left in September 1960 – and Anka’s tour was the most popular of all rock'n'roll acts so far. In 1961 we had Neil Sedaka, Frankie Avalon, Brenda Lee was back – now a young woman, instead of a girl-of-14-who-looked-like-she-was-10.

Rock’n’roll had been white-washed by the likes of Dick Clark’s American Bandstand’s pretty white hopefuls like Fabian, Bobby Rydell and the “twist” was the new rage. RCA Victor had dropped Restivo but even so his 2nd tour was not a total disaster, because he still had a lot of people who remembered him from two years before and let’s face it – Johnny was always a well loved figure by anyone’s standard.  Media coverage was not as near as it had been in 1960.  Here’s Johnny’s schedule in São Paulo:

Thursday, 1 February 1962 - performance at 5:00 PM and 9:00 PM
Friday, 2 February 1962  -  show at 9:00 PM broadcast by TV Record, Channel 7.
Saturday, 3 February 1962 - shows at 5:00 and 8:00 PM
Sunday, 4 February 1962  -  shows at 5:00 and 8:00 PM

An add of 1/3 of a page appears in the main newspapers in São Paulo, showing Johnny as he appeared on the sleeve of “Oh Johnny”, his 1960 album for RCA;  saying:  J. Restivo,  young people’s great idol singing the spetacular “twist”.

2 FEBRUARY 1962 – Friday – Restivo  opens at Teatro Record at 5:00 PM (the same venue and the same TV station as of 1960). A musical revue, “Twist in the highest” with Nick Savoia, Hamilton Di Giorgio, Ronny Rios, Trio Marayá, Paioletti and Valeria Luera opens the show. That was more or less the same crowd that was at that famous pizza-dinner with Johnny the first time around.

6 FEBRUARY 1962 – Tuesday – Johnny Restivo says good-bye to São Paulo. Restivo performed for 4 days instead of the 6 days he had done in 1960. He went to Rio yesterday morning where he intends to rest for a while before going back to New York.  A photo of Johnny is shown kissing a beautiful Brazilian girl at the airport.

Dear Asmund,

As you can see, this is all I’ve got from “Ultima Hora”, the same newspaper that had run 3 or 4 times as much about Johnny Restivo’s tour less than 2 years before. Johnny went to Rio where he must have stayed some time. I don’t think he actually sang professionally in Rio this time. But I found a news item about Johnny’s stay in Rio at “Revista do Radio” (Radio Review) which I hereby translate: 


JOHNNY RESTIVO GOT HIMSELF A SWEET-HEART IN RIO 

Revista do Radio” 10 March 1962

(There are 5 photos – 2 photos of Restivo by himself;  a bigger one of Restivo & Marivalda, his supposed sweet-heart;  and 2 further ones of the pair showing how to dance the Twist).

It’s been one and a ½ year since his first visit to our country. The first time around he came as a rock’n’roll singer, but now he has widened his field of action, presenting himself as a 'twist performer'. We met him at the Copacabana Palace Hotel, with that youthful and lovely grin of his. He remembers our last meeting and the friendship we established on his first visit

Note: the article is not signed, so we wouldn't know who the writer is.  He now is 18 years old and feels that he is a better performer.

“I started feeling better as a performer about a year ago when I found Dee Anthony,  my new manager who is Bill Anthony’s brother who travels with me in this South American tour.  Bill is the one who takes care of all travelling arrangements and related business. I’ve
got a lawyer, Mort Farber, and two more accountants who take care of the bills, taxes and apply my money wisely.  I am only allowed the sum of US$ 100 a week for my personal spending to refrain myself from profligation. The rest is invested in the Stock Exchange and real estate.  I am also affiliated to the General Artists Corporation agency.  That is why I had the chance to take such a big stride in my career.”

Johnny Restivo shows us the photo of a beautiful house and says:

“This is the house I bought my parents in Monroe, N.Y.  I was born in this place and lived there until I was 13 year old, when we moved to New Jersey. Now I only spend the week-ends with my parents – that is when I’m not on tour. The rest of the time I spend in my own apartment in New York, because I have to be near where he action is. I have just finished my South American tour in São Paulo with the Radio & TV Record.  I have been to Chile, Argentina and Uruguay for a month and I wrapped it all up in Brazil.  I intend to come here every year".

When Johnny said that, he intentionally looked at Marinalva – the queen of the chorus girls, that he met only a few days ago and it looks like he is very fond of her. She also looks to be very fond of him and told us that Johnny promised her an air ticket to New York in order to visit him there. Suddenly both were conscious of the reporter’s presence and Johnny got back to the interview.

“The Twist” is really a smash hit in the U.S.  Even grown-ups and high-society people who didn’t like - or at least said they didn’t like - rock’n’roll changed their mind about the new dance and they flock to the “Peppermint Lounge” to dance it away.  Actually, the Twist is not a vulgar dance and is even healthful. In my opinion, “dangerous dances” are those that the couples get stuck to each other. I have recorded two twist-numbers: “The magic age of love” and “Doctor love”. I have also changed all the songs I recorded before into this new rhythm and they are much more successful.  Well, it suffices to say that I have accrued 40.000 dollars during this tour.”

Under Johnny and Marinalva’s fairly “hot” pictures – one of them shows Johnny holding Marinalva from behind her back, a very sexy pose:  Many might think that the American heart-throb singer only posed with pictures with the chorus girl because he is publicity hungry but the truth is that Johnny and Marinalva lived a real romance in Rio. Especially after he taught her how to dance the twist.

Well, dear Asmund, that is it. I hope you like the article. At least it doesn’t contradict  your own History of Johnny Restivo at your Page. It is interesting how open Johnny was concerning his financial gains. He even mentioned how much money he made in his South American tour.


Revista do Radio - 10 March 1962.


Marinalva was a curvaceous chorus-girl who was available to pose as Johnny Restivo's romantic interest by Revista do Radio. The radio weekly magazine gripped its readers attention by making up stories about popular singers' romantic liasons. If the story wasn't there they would invent it unashamedly.